domingo, 23 de Junho de 2013

Entrevista 21: Rita "sugarPIE" Caetano


Mais conhecida como sugarPIE, Rita Caetano nasceu nos Açores e tornou-se conhecida no mundo virtual aos 15 anos graças à sua aparência extravagante, que a elevou ao estatuto de Scene Queen. Utilizando as redes sociais a seu favor, alcançou uma verdadeira comunidade de fãs que a idolatravam e lhe enviavam desenhos e fotografias. Sete anos depois, a sua vida mudou, e para o assinalar, foi capa da edição #02 da Revista 21.

Texto: Luna Santos

Quem é a Rita Caetano e onde entra a sugarPIE na sua história?
A Rita Caetano é uma rapariga muito simples e humilde. Antes de a sugarPIE entrar na minha vida, sentia-me muitas vezes posta de parte pelas pessoas. Tinha os meus amigos, alguns deles verdadeiros, que ainda hoje se encontram presentes na minha vida, mas até me tornar na sugarPIE, qualquer pessoa que olhasse para mim diria que nunca iria ser alguém. Eu própria, na altura, também não imaginava que me pudesse vir a tornar conhecida. Era uma adolescente bastante insegura. Mas a partir do momento em que comecei a mudar o meu estilo, a minha personalidade foi mudando também. Não deixei de ser quem era, apenas ganhei mais atitude e força. Quando me denominei sugarPIE não esperava que tempos mais tarde viesse a alcançar tanta popularidade nem que nada disso se tornasse «sério». Fi-lo por brincadeira e utilizei esse apelido porque tinha muito a ver com o meu estilo. Aos poucos, fui ganhando popularidade no Hi5 e decidi então «expandir-me» para outras redes sociais.

O que é uma Scene Queen?
Eu nunca me considerei uma Scene Queen. Apesar de ter o estilo semelhante ao delas, nunca achei que fosse uma. Mas pelo que sei, uma Scene Queen é uma rapariga com um estilo extravagante, que não se enquadra em nenhum outro estilo, e que vive parte da sua vida no mundo virtual. Talvez fosse por isso que me achavam uma Scene Queen.

De qualquer modo, foste uma das primeiras portuguesas a ganhar um estatuto de culto exclusivamente através das redes sociais. Achas que quem o consegue agora, com mais ferramentas à disposição, tem o mesmo mérito?
Para ser sincera, não sei. Há [sete] anos, encontravam-se com pouca frequência portugueses com um estilo mais invulgar e foi por isso que consegui a atenção de muitas pessoas. Hoje em dia, a meu ver, são muitas as pessoas que se vestem de modo diferente, e talvez já não chame tanto a atenção das pessoas. Não sei se fui a primeira portuguesa a ficar conhecida através do mundo virtual, mas o que é certo é que nunca tinha conhecido nenhuma outra pessoa que se tivesse tornado popular neste meio. Acredito que actualmente consigam ganhar popularidade, mas penso que nunca será como eu ganhei, porque naquela altura era tudo muito «novo» para as pessoas.

Alguma vez pensaste em rentabilizar a tua fama?
Sim. Aos 16 anos decidi vender a bijutaria que andava a criar. Fez bastante sucesso e deu-me lucro. Actualmente, tenho a minha loja on-line de parte porque não dá mesmo para continuar a vender, mas pretendo voltar a criar e vender as minhas criações num futuro próximo.

O que mudou a partir do momento em que ficaste conhecida na Internet?
Mudou muita coisa. Tentei sempre manter a minha privacidade, mas não conseguia fazê-lo como antes. As pessoas descobriram coisas que nem fui eu a publicar na Internet. Criaram imensos boatos acerca de mim, todos os dias me gozavam e tentavam humilhar. Criavam páginas ofensivas, vídeos a gozar-me, letras de música contra mim, etc. Todas essas coisas mudaram a minha vida. Provavelmente muita gente não suportaria ter de lidar com este tipo de situações todos os dias, mas eu suportei e até agradeço a todas aquelas pessoas que me gozavam, pois se não fossem elas eu não seria a pessoa forte que me considero hoje. Mas admito que houve um momento em que me cansei de tudo o que se passava à minha volta e quis que toda a minha popularidade desaparecesse. Inventaram e disseram-me coisas cruéis que muitas vezes me fizeram deitar lágrimas.

Qual foi o episódio mais curioso que viveste?
Foram cinco anos a viver episódios possivelmente curiosos, mas sinceramente não me lembro de muitos. Lembro-me, no entanto, de um episódio bastante querido que me aconteceu... Estava numa festa da minha ilha, quando de repente uma senhora me toca e pergunta se sou a sugarPIE – as pessoas dificilmente dizem o meu apelido correctamente. Eu disse que sim e ela responde: «Não te importas de dar um beijinho à minha filha? Ela é fanática por ti!» Quando olho para baixo e vejo uma menina com apenas sete anos, fiquei muito surpreendida porque geralmente só vinham falar comigo pessoas acima dos doze. Achei extremamente querido e mais querido ainda foi a reacção da menina quando lhe dei o beijinho. Outra situação de que me recordo é de estar num jardim com os meus amigos e vir ter comigo um grupo de crianças, entre os seis e os dez anos, perguntar se era a sugarPIE e se também era cantora ou actriz. Achei engraçado e curioso como as crianças também me conheciam.

Actualmente o teu estilo está diferente, mais sóbrio e, em consequência, perdeste alguns admiradores. O que pensas disso?
Não gosto quando as pessoas dizem que me admiram ou que são minhas fãs pelo meu estilo. Quando eu admiro alguém, é pela pessoa que ela é. Acho que os meus verdadeiros fãs ainda me admiram, porque não lhes interessa apenas o estilo que já tive mas também a minha personalidade, que de certo modo inspira muitos. Por isso não me importo se estou ou não a perder os ditos «admiradores». Sei que ainda há quem me admire e admira-me no meu todo.

Ainda te identificas com o pseudónimo/alter-ego sugarPIE?
Sim. Vou sempre identificar-me com a minha «personagem» sugarPIE, pois basicamente vivi toda a minha adolescência em torno dela.

O que pensas de ti mesma?
Tenho muito orgulho da pessoa que sou hoje. Olho para trás, para aquilo que fui, e comparo com aquilo que sou hoje. Não desprezo nem me envergonho do que fui, apenas sorrio por ter crescido e mudado muito mentalmente. Considero-me uma lutadora e, por muito que me caia em cima, até posso ir abaixo, mas rapidamente ergo a cabeça. Nem eu sei como consegui suportar tanta coisa sem nunca dizer adeus a tudo o que me rodeava. Aprendi que a melhor forma para lidar com as pessoas que tentavam constantemente rebaixar-me era ignorá-las. Hoje em dia, qualquer coisa vinda de estranho é-me indiferente. Claro que, por vezes, me irrita. Ainda sou gozada e «odiada», mas não me preocupo, porque o problema está neles e não em mim. Eu limito-me a ser eu mesma, vivendo a minha vida e preocupando-me com aqueles que amo. Os outros? Os outros são apenas figurantes do mundo em que vivo.

Abandonaste por inteiro quaisquer ambições na área da moda?
Não, nunca! A moda faz sempre parte da minha vida e não é por ter mudado um pouco o meu estilo que já não a quero. Continuo a sonhar poder, no futuro, trabalhar no mundo da moda.

Quanto tempo levas a arranjar-te de manhã?
Já demorei muito mais tempo do que demoro actualmente. Antes chegava a levar mais de uma hora, agora demoro mais ou menos 30 minutos para vestir-me, maquilhar-me e arranjar o cabelo.

Como imaginas que serás daqui a dez anos?
Sempre que me fazem esta pergunta fico um pouco perturbada, porque simplesmente não consigo imaginar como serei aos 30 anos. Só espero uma coisa: não ter uma criança nos braços!

Conta-nos algo que ainda não se saiba sobre ti.
As pessoas perguntam-me sempre como é o meu dia-a-dia e chegam a pedir-me para fazer um vídeo do género «Um dia com a sugarPIE!». Não percebo porque acham sempre que tenho uma vida «interessante» e diferente da vossa. Sou uma pessoa como vocês, a única diferença é que tenho popularidade, mas isso não interfere na minha vida «real». A minha vida é igual à de qualquer outra pessoa que esteja a ler isto. Não é que esteja a dizer que não seja interessante, apenas não é diferente ao ponto de fazer um vídeo a relatar o que faço diariamente. Nunca entendi essa curiosidade nas pessoas, acham sempre que a minha vida é rodeada de luxos. Mas não, provavelmente é bem mais aborrecida que muitas das vossas.


CURTAS

No MP3 tenho…
Todo o tipo de música, excepto Metal.

O meu filme favorito…
São muitos! Não consigo seleccionar um em especial.

O livro da minha vida…
Não tenho! Li somente entre três a cinco livros em toda a minha vida.

O meu lugar de eleição…
Japão, apesar de nunca lá ter ido.

A coisa que mais odeio…
Nas pessoas é a falsidade! Não suporto estar rodeada de pessoas falsas e cínicas.

Acho vergonhoso que na nossa sociedade…
Valorizem tanto a aparência de uma pessoa!

Não resisto a coleccionar…
Anéis!

O meu maior vício é…
Comprar anéis!


Confira abaixo algumas imagens de Rita "sugarPIE" Caetano, da autoria de Emanuel Oliveira, gentilmente cedidas para a edição #02 da Revista 21:


Artigo publicado na edição #02 da Revista 21

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