domingo, 4 de Agosto de 2013

Sexo com desconhecidos


Para muitos, sexo com um desconhecido é uma fantasia inconcretizável. Para Inês, é a mais pura e única realidade. Um homem, uma noite!

Texto: Maria Waddington

Sexo. A palavra tem o dom de trazer à mente momentos de muito prazer. Geralmente surge acompanhada da expressão «intimidade». Mas não no caso de Inês. Hoje com 30 anos, é desde os 22 assistente de bordo e a sua vida é passada a viajar de hotel em hotel, de país em país. Cruza-se com muita gente. Talvez seja este um dos factores que a faz querer envolver-se sexualmente apenas com desconhecidos. A história é longa, e já lá vai algum tempo desde que adoptou esta forma de viver a sua sexualidade. Afirma que «só o facto de estar com um desconhecido excita-me.» Mas afinal o que a excita tanto? Nas suas palavras, a descoberta. «Eu não quero saber como se chamam, o que fazem, onde vivem, se têm algum relacionamento... Eu quero é sexo.» A curiosidade fá-la imaginar com frequência como seria estar na cama com homens com os quais se cruzou uma única vez. «Imagino como será a entrega dele, como funcionará na cama, quais as suas posições preferidas.» E é assim que tudo começa. A assistente de bordo confessa adorar o jogo de sedução, a troca de olhares, o primeiro toque, o cheiro do corpo dos homens. E sublinhe-se o plural. «Eu adoro homens. Baixos, altos, magros, mais gordos, louros, morenos... homens. Ponto final!» Assim, sem espinhas!

A PRIMEIRA VEZ 
Quis saber como tudo começou. A resposta foi clara. «O culpado foi o meu ex-namorado!» Inês concluíra o curso de assistente de bordo há pouco tempo. Vivia com o namorado, mas a relação não estava bem. «Passava pouco tempo em casa. Sentia-o cada vez mais distante. Um dia precisei de utilizar o computador dele porque o meu tinha avariado e vi um site de encontros no histórico da web. No início nem percebi bem de que se tratava, mas depois de ver as conversas... foi o ponto final.» E acabou a relação. «Até hoje ele não sabe bem porque terminei. Mas só lhe tenho a agradecer», diz em jeito de gracejo. Pouco depois criou um perfil nesse mesmo site e a maratona começou. Com algumas fotos suas, as necessárias para manter o perfil activo, chamou a atenção de alguns homens. «No início, gostava de ver a reacção deles, os piropos medíocres e as frases feitas.» Mas passadas umas semanas sem o companheiro e habituada a uma vida sexual activa, começou a sentir falta de sexo. «É uma necessidade, e, para mim, sempre foi essencial.» As conversas desenrolaram-se, aqueceram, e Inês envolveu-se com o seu primeiro desconhecido. «Marcámos num hotel. Estava reticente, mas a curiosidade falou mais alto... Era algo que sempre quis fazer, e achei que era a altura certa.» E não se enganou. «Foi óptimo. Ele era lindo, com um corpo fantástico. Senti-me excitadíssima só por saber que era todo meu, naquele momento. Tive orgasmos maravilhosos.» Nunca mais o viu, nem quer. «Quando ele acordou, já eu não estava no hotel. Deixei um bilhete a agradecer e fui-me embora.» Não sabe nada sobre ele, apenas o nome que utilizava no site de encontros que, tal como o que Inês usa, pode não ser o verdadeiro. E as aventuras continuaram, sempre com a mesma máxima: «Não repito, não passo pelas mesmas mãos duas vezes!» Não quer criar laços. Para Inês, sexo é sexo, puro prazer. «Não quero saber nada acerca deles. Às vezes dizem-me, mas eu esqueço-me... Até parece mal, mas foram tantos. E eu não tenho memória de elefante!»

PARIS E BRASIL 
A sua carreira também contribui para este vício. Como passa muito tempo a viajar, cruza-se com vários homens interessantes. «Parva seria eu se não aproveitasse!» A nível internacional, a sua primeira aventura com um desconhecido foi em Paris. «Estava hospedada num hotel, a fazer voos de longo curso. Um dia entrei no elevador e estava lá um homem lindo. Moreno, olhos verdes. Depois de quase 20 horas dentro de um avião, achei que aquele seria o meu melhor anti-stress.» Escreveu num papel o número do quarto onde estava hospedada e entregou-lho. Mais tarde, bateram-lhe à porta. «Era ele. Não lhe dei tempo para apresentações ou mordomias. Atirei-o para a cama e morremos de prazer nos braços um do outro» conta, recordando as imagens passadas. Na manhã seguinte, ele já lá não estava. «Não me importei, não era para casar!» Por outro lado, a experiência de que mais gostou passou-se no Brasil. «Vi um site brasileiro de sexo ocasional. Era a minha cara!» Inscreveu-se, e quando se deslocou lá em trabalho, bastou ligar o computador e marcar o hotel. «Foi óptimo! Achei super interessante. Não houve perguntas, comentários. Foi sexo puro e duro... e muito, muito bom!»

VÍCIO DE RISCO
Inês tem plena consciência de que corre alguns riscos. «Sim, é verdade. Mas a curiosidade, aliada a essa pitada de loucura e risco, dão outro sabor a isto tudo. Como ando pelo mundo, tenho de aproveitar o que de melhor cada lugar tem... e, para mim, o melhor deste mundo são as pessoas. Eu apenas me aproveito delas. Sou feliz assim. Não tenho de me preocupar se vão achar que sou boa na cama, se sou bonita, se reparam na minha celulite ou se me vão voltar a ligar. Não ligam, não me interpelam se nos cruzarmos na rua... e isso é o melhor.» Quando lhe pergunto se considera estar viciada, Inês hesita. «Se se puder considerar um vício como algo muito bom e prazeroso, é um vício. Tenho colegas que adoram fazer compras, aproveitam as cidades em que estamos a trabalhar para comprar imensa roupa. Eu prefiro aproveitar outra vertente. O meu vício é sexo com desconhecidos!»


Artigo publicado na edição #03 da Revista 21

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