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Detinha Avelino: Fetiches


Pensava eu que depois dos 40 não existisse nada, em termos de sexo, que realmente me tirasse do sério. Tudo se resumia a conhecer, conquistar, abandonar, mas felizmente algo aconteceu para provar que estava errada.

Passeava pela Costa de Caparica a comprar bugigangas numa feira pobre quando senti um vento quente a abanar a minha curta saia. Segurei de um lado, do outro, e nada. A saia queria mesmo subir. Desisti de segurá-la – afinal, é Verão.

Olhei para o lado e notei que havia um homem a olhar para mim, ou para o que restava de minha saia. Sorri. Os homens são mesmo muito previsíveis. Tanta mulher quase nua a banhar-se e eles ainda se sentem curiosos por ver o que outra mulher tem debaixo da saia.

Continuei a andar e vi que o tal homem me seguia. Era um tipo comum, algo gordo, maduro, aparentava ser estrangeiro. Decidi brincar um pouco e comprei um gelado, aliás, não um gelado mas a perversão em forma de gelado: um Calippo de morango.

Sentei-me a uma esplanada, sempre com o tipo próximo, e deixei-me levar. Realmente a tarde estava óptima: vento, sol e um farfalhar de gemido do vizinho sempre que eu metia o tal gelado na boca. A situação estava para o ridículo e eu, a custo, segurava uma gargalhada. Foi então que algo me chamou a atenção nele: os seus pés.

Eram pés bem cuidados, brancos e másculos, do tipo que tem pêlo nos dedos, e calçados por lindas sandálias romanas. Abandonei o tal gelado. Algo estava a acontecer enquanto eu fazia divagações sobre massagens feita por aqueles pés, beijinhos nos dedos tao branquinhos, ou toda uma sessão de... bem, toda a gente sabe o que se pode fazer com pés.

Vi que agora era o tal estrangeiro a sorrir de mim ou para mim, não sei. Talvez não tenha conseguido ocultar o que me ia na cabeça ao fitar aqueles pés, ou quem sabe tenha balbuciado alguma coisa. O facto foi que fiquei literalmente molhada, tanto pelo gelado que havia escorrido para o meu colo como por qualquer coisa mais.

Pensei ser melhor abandonar a esplanada enquanto ainda me restava dignidade, não sem antes dar mais uma olhadela àqueles pés.

Agora não só tenho mais um fetiche a cultuar como tenho a obrigação de defendê-lo perante as minhas amigas, que dizem que estou louca por gostar de homens de sandálias. Por isso sou categórica ao dizer que sandálias assim só ficam bem a HOMENS.

Por: Detinha Avelino
Detinha Avelino é uma escritora brasileira, residente em Lisboa. É autora dos livros eróticos «Seduzca Me» e «Pequeña Y Rara», escritos em espanhol, assim como de «Filha do Destino», sobre o qual pode encontrar mais informações aqui.

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Detinha Avelino: Fetiches Reviewed by Revista 21 on 01:30 Rating: 5

1 comentário:

  1. Anónimo22 de agosto de 2012 às 17:54

    Vc é muito gostosa mesmo!!

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