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Música 21: As Piores Capas de Álbuns de Sempre


Há uns (bons) anos atrás, quando uma onda de loucura temperada de labreguice assolou o país e os vossos paizinhos e avózinhos decidiram comprar 10 mil discos do José Cid para, e cito, «fazer favas com chouriço», estava tudo longe de imaginar o que o senhor faria com o devido disco de ouro. Uma imagética que, uma vez vista, nunca poderia ser «desvista», e uma memória que muitos de nós levaremos para a cova. Sem ofensa.

Mas isto é para nós, que nos chocamos com facilidade. Somos um povo pequenino, daí já sentirmos algum desprazer em olhar directamente para a Ágata. Isto no estrangeiro faz-se e abusa-se, de formas que aqui só o Castelo Branco e uma câmera oculta conseguem.

Nós por cá – a expressão ainda não pertence à SIC, por isso vai de usar enquanto se pode – fizemos uma selecção das nossas 21 capas de álbum favoritas, numa clara homenagem ao do que pior se faz pelo mundo. Na política e na economia somos nós, mas do resto ainda nos podemos rir.


Texto: Sérgio Neves


LORDS OF ACID PUSSY 1998
Começamos da melhor forma. Com cona. Posso dizer cona? Ainda sou novo aqui e não tenho noção dos limites. Se não, que se foda. Esta capa tem daqueles trocadilhos que só os americanos se lembram de fazer, porque por alguma razão um deles chamou «pussy» ao genital da mulher dele, e a moda pegou. A bichana, coitada, a que está na capa e não a dita cuja, é só a montagem mais… nnggrrrr de sempre.


BUTTHOLE SURFERS BROWN REASON TO LIVE 1983
Porquê? É a pergunta que fica na cabeça. Porquê dar este nome a uma banda? Porquê dar este nome a um álbum? Porquê editar um álbum com este nome de uma banda com aquele outro nome? Porquê uma imagem que sugere sodomia na prisão? Percebe-se a intenção de choque e de surpresa, mas uma coisa é usar lantejoulas, outra é fazer um disco de merda.


FABIO FABIO AFTER DARK 1993
Para quem não sabe, depois do sucesso do Schwarzenegger, os americanos decidiram apostar forte em modelos musculados e trouxeram o Fabio de Itália. Escusado será dizer que não teve bem o mesmo efeito. Quanto à capa, é escolhida em parte pela qualidade do disco, e na maior parte pelo tamanho das mamas do rapaz. Os cabelos loiros e o facto de ser dia quando o título sugere outra coisa também ajudam, mas vá lá. Mamas. Calças acima do umbigo. MAMAS.


CROSBY, STILLS & NASH LIVE IT UP 1990
Esta é para aquelas pessoas que dizem «sáuchichas». Porque só uma pessoa com pouca coisa na cabeça ia achar espaço para gostar de salsichas gigantes no espeto. A ideia parece ser que os tipos gostavam tanto de salsicha, que estavam dispostos a ir à lua se lá houvessem delas gigantes. Gastronomia no seu melhor.


BONED UP AT THE CRACK 2004
Percebem? Porque sim, eis a razão. Preferimos não dizer mais nada sobre esta capa, apenas que é surpreendente que isto tenha passado no departamento de marketing no ano de 2004.


MC POOH FUNKY AS I WANNA BE 1992
A parte melhor desta é que é tudo real. «Pooh-Man», vulgo MC Pooh, edita um álbum em que sai de cabeça de entre as pernas de uma mulher, já a deixar prever na capa que este é um daqueles discos que sai directamente para a sanita. Às tantas o senhor tirou um curso de ginecologia e isto não passa de uma manobra de marketing. Mas como «funky» quer dizer, em tradução mais ou menos acertada, «mal-cheiroso», a clientela que se acautele.


HERBIE MANN PUSH PUSH 1971
Circula na Internet há já uns tempos uma foto do célebre José Carlos Malato, sem camisola e todo doidão, numa festa frequentada por tipos parecidos com o desta capa. Disseram-me que se chamam «ursos». E não daqueles fofinhos. Depois vem o nome do álbum, e o que ele está a segurar na mão. Medo.


RUDY RAY MOORE THE SENSUOUS BLACK WOMAN MEETS THE SENSUOUS BLACK MAN 1971
Nos tempos áureos em que Fernando Couto, Ricardo Sá Pinto, Paulinho Santos ou Hélder Cristovão se passeavam pelos campos de futebol, dizia-se que o desporto era como o sexo. Um espectáculo de graciosidade, esforço e muita emoção, até um dos protagonistas decidir entrar por trás e à bruta. Isto, meus senhores, é poesia no seu melhor. Não como esta capa. Uma autêntica entrada a pés juntos.


TINO POR PRIMERA VEZ 1983
O mais assustador é que este rapaz podia ser português. Esta passava por uma boa capa nos anos 80 e 90, desde que viesse do interior e tivesse um bailarico no lado B da cassete. E este, senhores!, era o futuro do pequeno Saúl, depois de «cheirar o bacalhau»! O que o Big Show SIC e o João Baião faziam às crianças… figurativamente falando, claro.


TWISTED SISTER STAY HUNGRY 1984
O dito «continuem esfomeados» é daquelas coisas que um treinador diz ao intervalo para motivar os jogadores, no momento dramático dos filmes do género que passam no canal Hollywood à hora de almoço e que ninguém vê. Não era para ser levado à letra e incentivar o canibalismo. Uma pessoa normal ainda pensaria assaltar a prateleira das bolachas lá de casa, mas vê-se que os Twisted Sister são de extremos.


ORLEANS WALKING AND DREAMING 1976
Nunca vos aconteceu terem sonhos, daqueles que vos fazem mexer de noite, para no dia seguinte a vossa mulher vos dizer «Oh, ontem fartaste-te de te mexer» e, dependendo do tempo de casados, ou foi muito fofinho ou foi a última vez? Esta capa parece sugerir um sonho desses, o que se percebe, porque num sonho com cinco tipos seminus e peludos a tocarem-se com sorrisos na boca, o melhor é mesmo pormo-nos a andar.


VILLAGE PEOPLE RENAISSANCE 1981
Os Village People são aqueles tipos felizes que cantavam aquela música extremamente máscula, a «YMCA». E portanto, era um polícia, um cowboy, um índio, um trabalhador civil – tudo profissões imensamente másculas – e um escravo sexual. E pronto, feita a contextualização, olhem de novo para a capa. Para as poses, para os penteados, para o cor-de-rosa. Isto sim, é arte renascentista.


MANOWAR INTO GLORY RIDE 1983
Até dá uma certa pena de ver esta capa, porque estes senhores são daqueles que se esmeram e berram até os tímpanos do fulano na primeira fila sangrarem, e algum fotógrafo com a ideia errada colocou-os na pele de Conan (o bárbaro, não o apresentador) com poses a roçar o ridículo. Melhor para nós, porque esta capa faz-nos rir e dá um óptimo fundo de ecrã.


CHER TAKE ME HOME 1979
Claro que a Cher tinha de figurar no top das capas mais feias. Um álbum com a cara dela bastava para ter lugar assegurado nos 21. Mas ela queria mais. E então colocou-se de biquíni dourado e orelhas gigantes, para nosso deleite. Obrigado, Cher.


MICHAEL JACKSON HISTORY: PAST, PRESENT AND FUTURE, BOOK I 1995
Até os grandes ícones se enganam e fazem coisas menos boas. E nem estamos a sugerir a pedofilia. Wacko Jacko acorda um dia e pensa: «Vou fazer um disco que fique para sempre e que seja um marco do que se passou no passado, do que sou no presente, e do que sempre serei no futuro. Portanto, levantem uma estátua minha sobre um fundo apoteótico e ajoelhem-se perante mim!»


JOHN LENNON & YOKO ONO UNFINISHED MUSIC NO. 1: TWO VIRGINS 1968
Era uma vez uma banda que mudou o mundo da música e projectou o seu nome mais além do que qualquer outra, e deixou clássicos instantâneos ao longo da sua carreira. Depois veio o lobo mau vestido de senhora chinesa ou japonesa ou lá de onde raio é a Yoko Ono, misturada com uma grande dose de «hippie-smo», e o vocalista de cette banda é um senhor de pila para fora para todo o mundo ver.


CHARLES MANSON LIE: THE LOVE AND TERROR CULT 1970
O mero nome deste senhor chegava para dar calafrios às criancinhas, mas vai de juntar a cara do senhor numa capa, com o olhar mais creepy de sempre, e pôr a vender nas lojas. Ao menos censuravam-lhe os olhos. Diz-se por aí que durante o ano de 1970 não havia quem entrasse numa loja de discos e olhasse para este sem ter um ataque de pânico e pesadelos durante uma semana.


MILLIE JACKSON BACK TO THE SHIT 1989
Há uns tempos corria no YouTube um vídeo de uma senhora sentada na sanita a cantar «Sitting in the toilet, sitting in the toilet» (é procurar, se não conhecerem). É de acreditar que essa obra de absoluto talento foi inspirada por esta artista. E esta capa até é muito boa. Porque se há capa que não falha na comunicação e revela instantaneamente o conteúdo do seu álbum é esta.


THE ROLLING STONES DIRTY WORK 1986
Sim, até os Rolling Stones têm direito a entrar nesta lista. E chegam mesmo ao pódio, ou não tivessem passado por aquela fase dos anos 80 em que toda a gente vestia roupa de cores aguerridas, incluindo fatos, e usavam penteados que envergonham o bom velho Marco Paulo. Degredo ou sexualidade de tal modo arrebatadora que ninguém lhe escapa? Difícil decidir.


SCORPIONS VIRGIN KILLER 1976
Esta é daquelas capas que levam estampa de hardcore sem ser preciso ouvir o disco. Isto porque foi censurada vezes e vezes sem conta, e hoje duvido que alguém os deixasse sequer usar a imagem de uma miúda que deve rondar os 14 anos, toda nua, e com um feixe de luz a sair-lhe do sexo. Por mais boa que ela prometa vir a ser. Por outro lado, este é dos discos preferidos do Carlos Cruz.


PRINCE LOVESEXY 1988
Estávamos a guardar o melhor para o fim, e o Prince para o primeiro lugar. Porque ele aparece umas quantas vezes nos 100 seleccionados, mas esta é sem dúvida a melhor das piores, ou a pior das melhores, ou o raio que vos foda, porque isto é simplesmente demasiado alguma coisa. O que vale é que estávamos todos preparados para a excentricidade do senhor, senão até nos rebolávamos a rir com esta capa «flozinha de estufa». Oh, deixem, vamos rebolar-nos a rir na mesma.


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Música 21: As Piores Capas de Álbuns de Sempre Reviewed by Revista 21 on 01:30 Rating: 5

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